Recentemente li uma postagem bem comovente no Linkedin, onde uma pessoa expos toda a sua angustia e dificuldade para se recolocar no mercado de trabalho. A pessoa tinha meia idade, formação superior e um histórico profissional bem variado. O post ganhou notoriedade, foi muito comentado e várias pessoas se dispuseram ajudar. Em seu depoimento, a pessoa disse que estava enfrentando um esgotamento por tantas tentativas sem êxito, que gerou um desejo de desistir de tudo.

Antes de tudo, quero dizer que este artigo não tem como proposta fazer juízo de valor sobre nenhuma das partes, o propósito é a autorreflexão.

Tenho convicção de que a pessoa está recolocada, sobretudo pelo movimento de sensibilização que ocorreu, mas eu gosto de refletir sobre os fatos, sem, contudo, deixar de usar o bom senso, a empatia e o aspecto humano. A pergunta é: a recolocação ocorreu pelo fator humano e sensibilidade das pessoas que quiseram ajudar, pela competência da pessoa que precisava de ajuda ou pelos dois fatores? Seria possível uma recolocação sem post tão comovente? É válido usar posts comoventes como método para se recolocar?  A resposta não é simples e como disse: Este artigo não tem como proposito fazer juízo de valor.

Durante toda minha trajetória apoiando empresas, especialmente em Recursos Humanos, percebo uma realidade paradoxal que tem se tornado cada vez mais gritante: Estão faltando vagas no mercado ou o que falta é preparo? Afinal, quem tem razão neste paradoxo?

Quem atua em RH acompanha milhares reclamam da falta de oportunidades, do outro lado, empresas e RHs lutam para encontrar profissionais minimamente prontos para os desafios atuais, então vejo que essa conta não fecha.

O PARADOXO: MUITAS VAGAS, POUCA MÃO DE OBRA QUALIFICADA

No dia a dia das consultorias e conversas com gestores, a frase que mais escuto é:
“Não é que falte candidato, falta quem esteja pronto para o que precisamos hoje.”

Essa realidade tem explicações algumas explicações:

Mudança na exigência de competências – Hoje, não basta o conhecimento técnico. As empresas precisam de pessoas proativas, com visão sistêmica, habilidade tecnológica e atitude de dono.

Resistência à atualização – Muitos profissionais pararam no tempo, achando que a experiência antiga seria suficiente para sempre. Só que o mercado mudou — e mudou rápido.

Defasagem entre formação acadêmica e prática real – Faculdades entregam diplomas, mas muitas vezes não preparam para o mundo corporativo, que exige soft skills, agilidade, adaptação e pensamento crítico.

Conformismo e mentalidade fixa – Ainda existem profissionais esperando que as empresas se adaptem a eles, quando na verdade é o contrário: o profissional precisa evoluir para acompanhar o mercado.

O PERIGO DE NÃO FAZER NADA

Quem insiste em viver com a mentalidade antiga está em risco real de:

🚨 Ficar para trás em processos seletivos.

🚨 Ter salários estagnados ou até inferiores aos esperados.

🚨 Ser substituído por profissionais mais atualizados ou, pior, por tecnologia.

🚨 Desenvolver frustração constante com o mercado, acreditando que “não tem mais espaço” — quando, na verdade, o espaço existe para quem se transforma.

🚨 Sofre danos em suas emoções de forma que podem caminhar para uma depressão.


QUEBRANDO O PADRÃO: O QUE FAZER AGORA?

Se você sente que está preso nesse dilema entre “não ter vaga” e “não estar sendo escolhido”, aqui vão ações concretas:

✔️ Atualize suas competências – Faça cursos, aprenda novas tecnologias, estude tendências da sua área.

✔️ Desenvolva habilidades comportamentais (soft skills) – Comunicação, trabalho em equipe, liderança, resiliência. Essas habilidades são mais exigidas do que o conhecimento técnico isolado.

✔️ Tenha atitude de aprendiz – Nunca se coloque como alguém que já sabe tudo. Profissionais que demonstram sede de aprender são mais valorizados.

✔️ Construa uma marca pessoal forte – Hoje, o LinkedIn, por exemplo, é um cartão de visitas vivo. Mostre o que você sabe fazer, participe de discussões, compartilhe conhecimento.

✔️ Busque feedbacks e aceite críticas construtivas – Não cresça apenas no “achismo”. Quem se desenvolve com base em retornos reais evolui muito mais rápido.

✔️ Dê um passo atrás – Talvez seja o momento de recomeçar de outro ponto de partida, para ganhar força e desenvolver competências, que possam te colocar de volta a posição desejada num momento mais adequado.

✔️ Saia do discurso e entre na ação – Reclamar não gera oportunidades. Agir gera.

Empresas estão, sim, contratando.
RHs estão, sim, procurando desesperadamente por talentos.
O que falta é cada um refletir se está no grupo de pessoas preparadas para ocupar essas posições.

Se você sente que é seu caso, a boa notícia é que ainda dá tempo de mudar o jogo. O mercado não é cruel, ele é exigente — e exige porque a velocidade da transformação não vai diminuir.

Você escolhe: reclamar da velocidade ou correr junto?

Está na hora de virar a chave e ser o profissional que o mercado procura — não o que fica esperando que o mercado volte ao que era antes, e isso Não é Só Teoria!!

Alexander Souza