Recorrentemente tenho dito em meus artigos, que durante minha trajetória com consultorias em Mapeamento e Organização de Processos para RH e DP, é comum ouvir frases como: “A gente sempre fez assim e funcionou”, “Aqui é tudo muito corrido, não dá pra parar pra organizar agora”, ou ainda “Cada um tem seu jeito de fazer, mas no fim tudo dá certo”. Essas falas, que à primeira vista parecem inofensivas — até práticas —, na verdade revelam uma cultura enraizada de improvisação. Uma cultura que foi se formando ao longo do tempo como mecanismo de sobrevivência, mas que impede a área de crescer, evoluir e ganhar o reconhecimento que merece.

O que muitos ainda não perceberam é que esse comportamento, aparentemente funcional, cria um ambiente de insegurança, retrabalho e dependência. E pior: se transforma num ciclo vicioso que consome energia, desgasta a equipe e compromete resultados. É exatamente nesse ponto que o RH/DP precisa de uma virada de chave — e ela começa pela consciência de que o “sempre foi assim” já não serve mais.

Essas expressões, muitas vezes ditas com orgulho, escondem um problema profundo: a cultura da improvisação, que virou rotina no RH/DP de muitas empresas. E o que inicialmente parece agilidade, flexibilidade e capacidade de adaptação, na prática se torna um grande vilão da eficiência, da credibilidade e da sustentabilidade dos resultados.

A ROTINA DO IMPROVISO

Quando não há processos bem definidos, tudo vira exceção. Cada solicitação, tarefa ou entrega depende da boa vontade, da memória e da experiência individual. Não existe padrão, não existe consistência. E é nesse cenário que a improvisação reina.

No começo pode parecer que está tudo bem — afinal, o serviço sai. Mas o preço logo aparece:

IMPROVISAR É DIFERENTE DE SER ÁGIL

Muita gente confunde improvisação com agilidade. Mas são coisas bem diferentes.
Agilidade tem método, tem estrutura, tem adaptação com base em dados.
Improvisação, por outro lado, é ausência de planejamento. É solução momentânea para um problema recorrente.

No RH/DP, onde lidamos com vidas, direitos e responsabilidades legais, improvisar constantemente é abrir portas para riscos sérios e desgaste desnecessário.

A CULTURA DA IMPROVISAÇÃO E O COMPORTAMENTO DAS PESSOAS

Por trás dessa cultura, existe algo mais sutil: o comportamento das pessoas. Muitos profissionais se acostumaram a “dar conta no final”, resolver em cima da hora, “dar um jeitinho”.

Essa mentalidade traz alguns prejuízos:

O JEITO “CERTINHO” AINDA É O MELHOR CAMINHO

Apesar de parecer mais demorado no começo, ter processos bem estruturados continua sendo o melhor caminho para que o RH/DP funcione com consistência, qualidade e menos estresse.

Isso não tira a flexibilidade. Pelo contrário: estrutura dá liberdade para inovar com segurança, e não para apagar incêndio todo dia.

COMO MUDAR ESSA REALIDADE?

A transição do improviso para a organização começa com consciência e decisão. E, a partir disso, alguns passos fazem toda a diferença:

1. Reconheça a cultura atual

Não adianta fingir que está tudo bem. Avalie sua rotina: quantas atividades são feitas “de cabeça”? Quantos erros se repetem? Onde há retrabalho?

2. Comece pequeno, mas comece

Você não precisa reorganizar o RH todo de uma vez. Escolha um processo crítico (como admissões, fechamento de folha, ou desligamentos) e comece por ele.

3. Envolva a equipe

Mudar cultura exige diálogo. Traga a equipe para a construção dos processos. Isso gera mais adesão e senso de responsabilidade.

4. Documente o que é feito

Tenha tudo claro: atividades, prazos, responsáveis, ferramentas usadas. Isso evita dependência de pessoas e fortalece o time.

5. Implemente melhorias contínuas

Mapeou, documentou, rodou? Ótimo. Agora revise, ajuste e melhore com frequência. Processo não é algo engessado — é vivo.

NÃO É SÓ TEORIA!

Improvisar pode até salvar o dia, mas não sustenta uma área que quer crescer, evoluir e ser reconhecida como estratégica. RH/DP precisa de organização, clareza e confiança — e isso se constrói com processos bem definidos.

Tenho acompanhado profissionais e empresas que viveram anos nesse modo “aqui é sempre assim” e decidiram mudar.
Os ganhos não são só operacionais — são emocionais, culturais e de imagem da área.

Se você quer fazer parte dessa transformação, conte com nossa consultoria em Mapeamento e Organização de Processos para RH e DP.

O primeiro passo é parar de normalizar o caos.
O segundo é decidir fazer diferente.

E lembre-se: Não é Só Teoria!

Alexander Souza